eu de vez em quando tenho uma dificuldade em olhar pra minha "eu" do passado. sabe aquela sensação de vergonha alheia que a gente sente quando alguém faz algo muito remoso? eu sinto isso comigo mesma.
nunca mais eu tinha lido esse blog, nunca mais tive coragem de ver os videos de recife cops (que por muito tempo me deram bastante orgulho), nunca mais tive coragem de ver o meu video de inscrição pro geléia do rock, e nunca mais toquei a música que eu toco no video.
bem, eu acabei de ler um pouco as postagens antigas do blog e... eu não tenho vergonha da antiga Iara. aliás, é graças a ela que eu sou quem eu sou. que nem aldous huxley falou, não dá pra gente ficar querendo corrigir uma obra feita quando a gente era outra pessoa. tiraríamos a essência dela, desse jeito.
to muito feliz agora. sem saber direito o que é. isso acontece né, já havia reparado baudelaire.
to invadida daquele amor, daquele otimismo que só eu sei que me invade de vez em quando.
e só quem sente isso sabe que tudo que a gente quer quando sente uma coisa sublime assim é dividi-la com todo mundo. e especialmente com alguém.
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo. Minha mãe ficava sentada cosendo. Meu irmão pequeno dormia. Eu sozinho menino entre mangueiras lia a história de Robinson Crusoé, comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu a ninar nos longes da senzala e nunca se esqueceu chamava para o café. Café preto que nem a preta velha café gostoso café bom.
Minha mãe ficava sentada cosendo olhando para mim: - Psiu... Não acorde o menino. Para o berço onde pousou um mosquito. E dava um suspiro... que fundo!
Lá longe meu pai campeava no mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
Amor não tem uma fórmula pré-determinada. Infelizmente, fomos criados à base de comédias românticas holywoodianas e clichês, que nos fazem ter uma idéia completamente equivocada do amor.
De vez em quando a gente faz umas descobertas geniais pra nós mesmos, não é? Hoje, eu descobri, mais uma vez, o homem da minha vida. Eu sei que ele me ama, e definitivamente não é no estilo comédia romântica holywoodiana e clichê, mas é amor. E aí eu percebo quão idiotas são todas as minhas nóias periódicas. Queria não esquecer disso nunca, ser feliz sempre...
Não sei explicar, só sei sentir. O quanto ele me faz bem.
Eu tava com uma vontade de escutar No Surprises. Como eu ia tomar banho, coloquei o cd no som, pensando em escutar enquanto o fazia. Só que No Surprises é uma das últimas músicas do Ok Computer, e eu tava afim de demorar no banho, escutando músicas aleatórias. Aí coloquei no shuffle. Eu esperaria ela tocar. Não seria problema nenhum, já que todas as músicas do álbum são ótimas... e alguma hora ela iria tocar, né. Mas ela foi a primeira.
Depois veio The Tourist. Linda música, linda... é engraçado, à medida que eu ia escutando o cd, cada música que começava, era um êxtase: "caralho, eu adoro essa música!", EIouhEOIUe claro, eu adoro todas! Esse álbum é maravilhoso.
Aí eu lembrei que a primeira vez que eu ouvi The Tourist foi porque Paulo me mandou. Não Paulo, Paulo. Paulo, o outro. O primeiro. O Belo. Hahaha. Não que o outro não seja belo... só que esse é com letra maiúscula.
Fiquei pensando em como uma pessoa, que fez parte da minha vida por um tempo relativamente curto, pôde mudá-la tanto. Acho que foi nesse momento que eu comecei a gostar de Radiohead. E hoje em dia eu gosto bem mais até do que ele. Kekeke. Ele nem foi pro show em São Paulo. Eu nunca conseguiria não ter ido.
E fiquei tão feliz, ao perceber em como a gente interfere, sem nem perceber, na vida do outro. Me lembro novamente da minha epígrafe de Ensaio sobre a cegueira, uma das partes que mais me marcaram durante a leitura do livro: "Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma forma bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratular-nos ou pedir perdão(...)".
Depois veio Climbing Up The Walls e Lucky. Putz, eu queria muito ter uma banda cover de Radiohead pra tocar essas músicas, haha.
Bom, é isso. Sejam bons para as pessoas. Às vezes você deixa uma marca na vida delas, e nem percebe. Essa marca pode ser positiva ou negativa. Só depende de você.
Sou sensível pra caralho. Viver me comove, tudo me marca. Gosto de escrever. Não sei se faço isso bem, mas é um prazer mágico e uma necessidade, assim como desenhar e ouvir música. Escrevo o que sinto.