sábado, 8 de agosto de 2009

trabalho da escola

Na Modernidade (na crise da Pós-Modernidade), a religião (Deus, o Sagrado) tem sentido?

Minha resposta pra essa pergunta é não. No começo, fiquei muito em dúvida sobre o que responder, e primeiro escrevi que via sentido sim. De fato, acho que o sentido de alguma coisa é atribuído por cada um, e a religião tem muitos aspectos positivos que a faz ter, sim, um sentido. A resposta a essa pergunta é relativa. Mas, no geral, eu acho que não há mais sentido em ter uma religião, cultuar um deus, considerar alguma coisa sagrada.
Quando se iniciou o movimento Renascentista, a religião começou a perder lugar pra uma onda de racionalismo que se disseminou pelo mundo. Aliás, desde os gregos, se questionava o modo de pensar que não fosse filosófico, mas a Europa às vezes tem uns retrocessos loucos. Mas, initerruptamente, foi desde o Renascimento que começou essa revolução científica e filosófica. Não é que o povo tenha deixado de crer, mas pelo menos questionava e tentava chegar a Deus pelo menos de uma maneira mais lógica, racional, tipo Descartes. Eu não acho que a visão racionalista das coisas seja necessariamente a visão correta, mas o Renascimento, indiscutivelmente, abriu os olhos da humanidade, abriu as mentes condicionadas do Feudalismo. Eu acho que, na Modernidade, depois de tanta evolução do ser humano, é muito medíocre você se prender a uma instituição cujas doutrinas é preciso aceitar sem questionamentos. Uma instituição que existe há tanto tempo e nunca se reciclou nem nada. Que é antiquada, como a Igreja Católica, por exemplo. Que segue à risca um livro escrivo há milhares de anos. Pra mim, isso limita a capacidade humana de pensar. Na verdade, eu acho que ninguém devia se atrelar a nenhuma crença, e ser eternamente céticos. Cético no sentido de que duvida de tudo, pois eu acho que, na vida, tudo é possível. Quando você se converte a uma religião, você toma aqueles dogmas pra sua vida, e daí em diante, é isso que vai reger suas atitudes e pensamentos. O ser humano tem que buscar evoluir, adquirindo conhecimento sobre a vida. Religião é um cabresto.
Religião é também produto cultural de um povo e de uma época, e eu acho que o momento da humanidade agora é outro. Não é mais o momento de se atrelar a religiões, e sim buscar novos caminhos para entender a vida.
Quando se estuda História, fica evidente que Deus é uma coisa inventada pelo ser humano. Por isso, não acho racional crer em um Deus. Conheço agnósticos, ou pessoas que ficam "em cima do muro" - ou seja, que não negam nem afirmam a existência de Deus -, que consideram o ateísmo uma convicção tão absurda quanto a crença em um Deus. Isso porque eles acham que, na nossa insignificância perante o Universo, é prepotente e impossível querer afirmar se Deus existe ou não. Portanto, você tem que ficar sem opinião. Pode existir, pode não existir. Bom, eu concordo, e faz sentido. Aliás, meu discurso se parece com esse, e já discuti sobre isso durante horas e horas com um agnóstico e não cheguei a lugar nenhum, porque eu falava a mesma coisa que ele, mas no final concluía: "portanto, eu sou atéia". Aí ele dizia que eu tava sendo ilógica. Mas eu concordo. Eu acho que o ser humano não é capaz de afirmar se essas coisas grandiosas que envolvem o Universo e a vida existem ou não. Por isso, na verdade eu sou uma pessoa sem opinião. Eu vivo como uma criança que nunca ouviu falar em Deus. Como eu acho que Deus é uma coisa cultural, se você crescer sem ter nunca ouvido falar nessa teoria, nessa polêmica, nesse debate, você não vai nem ficar em dúvida porque pra você essa problemática nem existe. Eu vivo como se fosse assim. Porque eu acho que cogitar a existência de Deus, haver esse debate sobre se Ele existe ou não, é completamente absurdo. É como se eu chegasse pra ti e perguntasse, "Ei, e aí, qual sua opinião? Você acha que existe um porco cor-de-rosa voador que vaga pelo Universo?". A gama de coisas que podem existir ou não (já que a gente não sabe), ou melhor, a gama de coisas que não existem, é infinita. Pra mim, discutir essa discussão (cacofônico, mas fazer oque), que começou justamente por uma invenção do ser humano pra explicar a vida... não faz sentido. Até porque eu acho que, pelo mesmo motivo do ser humano ser muito insignificante em relação a toda a grandeza do Universo, é muito prepotente nós querermos analisar a vida de um ponto de vista humano. Querer saber o porquê, o motivo, o sentido... são necessidades muito humanas. Só porque a gente sente necessidade de encontrar um sentido pra vida, não quer dizer que haja um. Acho que a vida é puro acaso.
Pode ser que Deus exista. Como pode ser que exista um porco cor-de-rosa vagando por aí. Como pode ser que existam espíritos. Como pode ser qualquer coisa. A vida é uma loucura. Tudo é possível. Eu ficar refletindo sobre as inúmeras possibilidades que esse Universo me proporciona... não vai me fazer chegar a lugr nenhum. Eu tenho a minha crença (sim, dizem que o ateu é aquele que não tem crenças ou religiões, mas, na verdade, ser ateu também é uma forma de crença. Afinal, nessa vida, não temos certeza de "nada", então, tudo na vida é o que a gente acredita). E a minha crença não é que "Deus foi quem fez... Deus foi quem começou... Deus é quem rege... Deus comanda...". Minha crença é: Deus É. Deus é energia. Deus é a Vida. Eu sou Deus. Nós somos Deus. Tudo no Universo está interligado. Alguma coisa começou tudo isso, e eu e todos nós somos parte disso.
Eu sinto que a gente faz parte de alguma coisa grande, não uma coisa "maior", como gostam de dizer. Não acho que nada esteja acima de nós, nós somos tão importantes pra esse Universo como são as galáxias e a menor das formigas. Tudo é equilíbrio. Eu acho legal gente meio hippie, que cultua a natureza e a vida, porque isso é o que merece ser cultuado, não um tal de Deus abstrato que foi feito à imagem e semelhança do Homem, como disse Nietzsche. Aliás, li que Nietzsche dizia que era bom ele ter todos os problemas de saúde que ele teve a vida toda, problemas de vista e tal, porque aí ele não pôde ler os outros autores da época e não teve suas idéias e obras influenciadas por ninguém. Digaí o que é retórica né. Isso que eu gostei em "Quando Nietzsche Chorou". Aquele cara lá, o autor, idealizou uns diálogos muito interessantes. Breuer vai cuidar de Nietzsche, ele tá doente, tá fudido, e ele não quer ser curado. Digaí a capacidade da pessoa de argumentar. Ele mostra que é melhor pra ele permanecer doente!
Mas enfim. Nietzsche pôde desenvolver sua própria filosofia. Eu acho que o sentido da Modernidade está aí: em cada um tentar desenvolver sua própria religião.

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